Dia-a-dia vou percebendo que um amo-te se diz só de vez em quanto e que é isso que o torna especial. E sei disso e também sei que não são palavras que traduzem sentimentos. Mas afinal para que escrevemos? Escrevo para um dia ler, para um dia, quando for grande ler isto e lembrar-me de como tudo era. Porque eu tenho medo da mudança, de como ela será, de como ela virá. Mas sei que é no agora que vivo. Digo amo-te algumas vezes, talvez vezes de mais. Mas digo porque quero pontinhos brilhantes em cada momento, porque afinal, tudo é vida. Tudo é bom. Estou sentada na cadeira, numa casa que sei que vou relembrar daqui a uns anos, porque esta é a casa dos meus avós! De costas para a janela, o vento embala-me os cabelos e faz soar a musica que pus a tocar. Sei que se me virar vou ver uma imensidão de árvores libertando um canhão de oxigénio a cada segundo, uma serra, uma montanha. Será que deva? Será que me deva virar? Será que vou ter mais vontade de continuar a escrever? Ou será que para escrever me basta o que tenho. Afinal o que não temos não faz falta. Mas se pudemos ter, porque não? Afinal tenho um pote de oxigénio atrás de mim. O vento torna-se mais quente com o avançar do dia e acabo por me virar. Agora o vento leva o cabelo para trás, o computador está poisado no parapeito da janela e faz-me lembrar o pequeno passarinho que vai poisando de janela em janela. A mesma música continua a tocar, a avó a falar com a mãe. Continua tudo igual. Daqui a largos anos serei capaz de aqui estar no mesmo sítio, com a mesma música a tocar e com o vento um pouco mais forte, mas já não será tudo igual, a casa estará vazia. Poderei ter a mesa cheia de comida e o armário cheio de recordações, mas faltará a vida. A vida acaba e nos esperamos por ela. Teremos de ser nós a esperar por ela? O meu avô passa por aqui e dá-me o concelho de sair da janela.
Forgive Me - Evanescence
quinta-feira, 16 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Trezentos e sessenta e cinco dias
Estivemos várias vezes à beira do caminho, mas nunca nos pusemos á estrada. Passou este tempo e pergunto-me porquê. Juro que me fazes feliz, juro mesmo. Vivia contigo. O sorriso, o tempo, tudo. Ajudei-te a tentar que fosses amado sempre que pediste e que não pediste, ajudei-te sempre, ouvi-te, aconselhei-te, disse-te o bonito e o feio. E tu esqueceste-me como se fosse um guardanapo de mesa. Fui a pessoa que quebrei regras para te auxiliar, sempre. Desiludi pessoas, quebrei segredos por ti. E tu sabes. Sempre. Bolas e agora? Lições de vida não são. Porque darmos tudo por quem amamos não é um erro. Eu apenas pedia que não me esquecesses, só queria isso. Mas esqueceste. Choro por ti, sim! E continuarei e sei que um dia te vou dizer pessoalmente tudo o dito aqui. No dia certo. Deste-me a maior desilusão, porque as maiores desilusões são dadas por quem amamos! Eu só peço que um dia me dês valor! Lembraste de estarmos nas bancadas e nas primeiras vezes que começamos a ser amigos me contares a história da tua mãe e da tua vida, tu contaste! Lembraste das tardes na escola, eu lembro. Lembraste das nossas tardes, eu lembro. Lembraste dos longos passeios que dávamos os dois nos intervalos, pela escola, eu lembro. Lembraste das multiplas pequenas histórias que existiram?
Quando te vejo morro por dentro pela insignificância que me dás. Espero ainda o dia que me solicites com um beijo. E passou um ano, um ano {...}

Quando te vejo morro por dentro pela insignificância que me dás. Espero ainda o dia que me solicites com um beijo. E passou um ano, um ano {...}
23 de Abril, o dia
Oito e meia da manhã e mais um dia, mais uma despedida difícil deixando importantes para trás e olhando em diante. Na viagem simples para o outro mundo, o desalento invade a camioneta e a viagem lentamente chega ao seu destino. Os nervos invadem-nos o estado psíquico. A comida entretêm as horinhas da barriga, mas não mata a fome. Os atrasos, são sempre mal vindos. Mas depois nada de isto importa, e só quem desta forma vive pode explicar. Qualquer saudação sem qualquer bem material, apenas com a vida vivida. Cada sorriso simples que vem da pessoa que menos esperamos. O auxílio do inimigo e a vontade de deixar marcas de valor no coração alheio. O vago que se preenche e a entreajuda que se multiplica. Tudo isto vale mais que qualquer vitória ou derrota, tudo isto é mais importante que ganhar ou perder. Já não é isso que vou lá fazer, o objectivo já o alcancei, e agora isso já não me basta. Seja qual for o meu resultado terei sempre na memória tudo o que vivi e nunca o esquecerei. Ficaram sempre guardados os resultados de medalha e aqueles que nem a tiveram, os resultados menos bons. Mas principalmente a hospitalidade de quem a desconhece ou a conhece demais para não a dar, todos os gestos e todos os sorrisos puro. Tudo isto foi muito importante. Por muitas injustiças, indiferenças, ou aquilo de mau que tenha havido, serão para sempre as Boas Recordações jamais esquecidas.
- E as ultimas palavras não existiram, como se não fosse ainda a hora, e nem no ultimo instante o sentido do real se perdeu e tudo continuou como se não fosse nada, e a única maneira de os deixar, foi com um sorriso..JPG)
- E as ultimas palavras não existiram, como se não fosse ainda a hora, e nem no ultimo instante o sentido do real se perdeu e tudo continuou como se não fosse nada, e a única maneira de os deixar, foi com um sorriso.
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